Para compreender a
origem do Rock Brasileiro, devemos voltar às influências ocorridas nas rádios e
cinemas brasileiros na década de 1940 durante a II Guerra Mundial e
posteriormente a este fato histórico até o final da década de 1950.
A opinião de
alguns autores sobre a política econômica dos EUA de ampliar o seu alcance de
maneira global, mesmo antes do conflito armado mundial da década de 40, viu no
cinema e no rádio um modo eficiente de exportar o estilo ideal de vida da
classe média democrática americana para os demais países latinos americanos e
europeus. Na América Latina, a indústria cultural americana produzia artistas
do meio musical que tocavam ritmos latinos como rumba, mambo, bolero,
chá-chá-chás, para conquistar os ouvintes dos países vizinhos, concorrendo
diretamente com os músicos nativos desses países como: Perez Prado, Trio Los Panchos, Nora Morales,
etc. A intenção logo recebeu o nome de Política da Boa Vizinhança com
os países aliados dos EUA, pois afinal de contas, tratavas se de um assunto de
segurança nacional e não só econômica dos norte-americanos, para a
sobrevivência do seu estilo de vida. (Tinhorão:1998).
A partir de 1950,
houve um crescimento na população dos Estados Unidos, recorde num período de 15
anos, trazendo junto um novo tipo de consumidor que seria o público jovem, até
então desprezado para os olhares dos publicitários. Esse mercado emergente
trouxe à tona, um novo fenômeno musical de identificação que foi o Rock´n Roll,
de origem no Rhythm and Blues dos negros americanos. O Rock tinha os elementos
necessários para uma nova geração que não se conformava como a hipocrisia
conservadora do estilo ideal de vida dos lares de classe média. (Tinhorão:1998).
A batida forte e
agitada com letras que falavam de rebeldia, sexo e romances platônicos, era o
prato ideal à uma geração que queria ser ouvida naquele mundo à sombra da
guerra fria.
Conforme nos diz Essinger, no Brasil o fenômeno
do Rock´n Roll surge em 1.955 com a música Rock
Around the Clock de “Bill Halley and His Comets”. Conseqüentemente,
acompanhando o embalo, Hollywood exportava o filme Sementes da Violência (Black
Board Jungle) para as telas brasileiras. Definitivamente as rádios de todo
o país começaram a tocar este novo estilo musical para a alegria das gravadoras
americanas que viam seus investimentos crescerem nos dígitos bancários. Logo,
os empresários brasileiros seguiram o mapa da mina, lançando a versão em português
da música, tocada por Bill Halley and His Comets, chamado Ronda das Horas, cantada por Nora Ney pela gravadora Continental,
abrindo as portas para as novas imitações de estilo americano como os grupos
brasileiros Os Cometas, Louis Oliveira and Friends, Cauby Peixoto gravando o
disco com o nome Rock and Roll em Copacabana,
Celly e Tony Campello com o sucesso Estúpido Cúpido e Banho de Lua em 1958, e Sergio Murilo com a música Broto Legal, tornando-se assim, os novos
ídolos tupiniquins da geração jovem. (Essinger:1999).
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| Nora Ney |
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| Celly & Tony Campello |
Este sucesso de
assimilação do Rock pelos brasileiros, segundo Tinhorão, deve-se também a um
dos fatores que contribuíram a este processo que foi, a imigração de famílias
do interior dos estados do sudeste para as cidades grandes, como São Paulo e
Rio de Janeiro. Os filhos destas famílias não tinham vínculo cultural das
tradições do interior das cidades de origem de seus pais. O que facilitava o
interesse pelo estilo de vida dos jovens de classe média, exportado pelos
filmes americanos. Portanto a maioria dos jovens desejava viver como pessoas da
cidade grande desenvolvida. (Tinhorão:1998).
Após o mundo
conhecer os novos ídolos da década de 50 como Elvis Presley, Paul Anka, Neil
Sedaka, Pat Boone e outros, o começo dos anos 60 viria trazer um novo ícone da
música jovem mundial, na forma de quatro rapazes de Liverpool: o grupo inglês Beatles.
Com influências de Chuck Berry e Mudy Walters, estes rapazes britânicos
revolucionaram o conceito de ídolos, trazendo uma leva mundial de fãs a ouvirem
suas músicas antológicas como Shes Loves You, It´s a Hard Days Nigth,Twist
and Shout, influenciando a nova geração de músicos no Brasil. Entre estes
estaria Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Mas antes de falarmos dos ídolos da Jovem
Guarda, lembremo-nos do movimento promovido por outra dupla: Caetano Veloso e Gilberto
Gil, com o Tropicalismo. Influenciados pelo rock dos Beatles e a bossa nova de João
Gilberto, queriam resgatar a música brasileira, afastada das rádios pela
invasão da música estrangeira e dar uma nova roupagem com características próprias,
assim como a Bossa Nova revolucionou a MPB.
Assimilando as
guitarras do Rock´n Roll, os tropicalistas queriam misturar os ritmos e
tradições brasileiras aos novos conceitos de música moderna de 1960. Diferentes
dos cantores da Jovem Guarda tinham uma posição altamente consciente dos
fatores político-sociais que aconteciam no Brasil e no mundo. Era uma geração
de jovens intelectualizados, formado por jornalistas, filósofos, políticos e
artistas vindos dos movimentos estudantis como a UNE (União Nacional dos
Estudantes).
Na Jovem Guarda se
destacava o grande ídolo do movimento, o cantor Roberto Carlos ( heheheh...são
tantas emoções bicho) com suas músicas que eram tentativas de reprodução do rock
do Beatles, com letras simples, sem apelo político-social nenhum.
Esta aparição do
ídolo da Jovem Guarda, caiu como uma luva para os interesses dos militares e da
indústria, pois o novo ídolo trazia os estereótipos fabricados pela indústria
cultural, para os jovens não contaminados pela influência comunista no país. A
maior afirmação disto se deu no lançamento de seu quarto disco Roberto Carlos Canta para a Juventude.
E o maior público
do cantor era em São Paulo, maior centro econômico do país, onde se situavam as
indústrias internacionais.
A sorte dos
militares não poderia estar melhor naquele momento, quando em 1965 a proibição
da transmissão dos jogos de futebol direto dos estádios nas tardes de domingo,
favoreceu o aparecimento de uma nova programação para preencher o espaço vazio
nas tardes de domingo da televisão brasileira, o programa Jovem Guarda,
apresentado por Roberto Carlos, destinado ao público jovem consumidor.
(Tinhorão:1998).

A incorporação dos
instrumentos elétricos característicos do rock americano, como a guitarra, o
contra-baixo e teclados, na música jovem do final dos anos 60, favoreceu a
indústria destes instrumentos e dos equipamentos eletrônicos de amplificação de
som. Por este motivo, ficou fácil a assimilação da indústria, na adesão do Rock
como fonte de lucros a partir de 1970. Graças à Jovem Guarda e aos Tropicalistas,
o Rock´n Roll domina os meios de comunicação.
A partir de 1970,
sem dúvida a banda que teve a maior contribuição para o rock brasileiro foi os Mutantes.
É imprescindível falar do começo desta década e não citar este grupo que abriu
as portas para muitos outros.
Apresentados ao
público da televisão por Ronnie Von em seu programa na TV Redord, O Pequeno Mundo de Ronnie Von em 1967. O
grupo formado por Arnaldo Baptista, Sérgio Baptista e Rita Lee, chamado de O’Seis, passa a se chamar Os
Mutantes, por sugestão de Ronnie Von. E posteriormente, no mesmo ano, são
convidados por Gilberto Gil para gravarem a música Bom Dia, levando então a banda a tocar com Gil no III Festival da
Canção da TV Record com a música Domingo
no Parque conquistando o segundo lugar.
Mais tarde envolvem-se com os tropicalistas, como citado anteriormente,
acompanhando Caetano Veloso e Gilberto Gil no polêmico festival de 1968. E
neste mesmo ano lançam seu primeiro LP, Os
Mutantes, influenciados pelos Beatles e com arranjos de Rogério Duprat, motivo pelo qual até hoje, o
consideram criador do Tropicalismo. Chegaram a tocar também na França durante o
mesmo ano.
Com muito mais
pscicodelia, tocam no IV Festival da Canção de 1969 com a música Ando Meio Desligado e então começam a se
afastar mais do Tropicalismo, indo
abraçar definitivamente o rock. Chegam a gravar um disco em inglês na Europa, deixando-o
na gaveta até ser lançado em 1999.
A Rede Globo em
1971 se interessa pelo grupo para apresentá-lo em seu programa Som Livre
Exportação, mas desistem após alguns programas. No ano seguinte lançam outro
disco Mutantes e Seus Cometas no País dos
Baruets.
Sofrendo
influência de grupos ingleses como Emerson,
Lake & Palmer e Yes. Mas em 1972, Rita Lee deixa os Mutantes e parte
para carreira solo no ano seguinte. Depois disso os Mutantes continuam sem Arnaldo Baptista após seu
quadro agravar-se pelo uso demasiado de drogas. Em 1978 a banda termina em um
show em Ribeirão Preto, São Paulo, para 200 pessoas.
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| Os Mutantes |
Outra figura
importante deste período, que não devemos deixar de citar, é Raul Seixas, que trazia influências de Elvis
Presley , Luís Gonzaga e do esoterismo
também, gravando músicas com o parceiro Paulo Coelho, como Gita, Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza.
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| Festival de Águas Claras 1975 |
Muitas outras
bandas também se destacaram como Secos & Molhados e Os Novos Baianos explorando cada vez mais as idéias de fusão da Tropicália.
Outras bandas de som mais pesado como Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Bicho da Seda, A Bolha e outras mais
para o Rock Progressivo, como O Terço, Vímana,
Som Imaginário que tinham também as influências rurais de Sá, Rodrix &
Guarabira e do Joelho de Porco com o seu pré-Punk Rock.
Esta fase rica do
rock brasileiro teve os seus dias contados com a chegada do novo fenômeno
mercadológico – a Discoteca - em
1977, junto com o filme de Hollywood Os
Embalos de Sábado a Noite.
Este texto é uma pequena copilação de alguns trechos do meu trabalho de conclusão de curso de 2008 na Faculdade Mozarteum de São Paulo.
Referências bibliograficas e de internet:
TINHORÃO, JOSÉ - A Historia Social da Música Popular Brasileira
ESSINGER,
SILVIO. A História do Rock Brasileiro, 1955 a 2000, disponível em:
<http://www.cliquemusic.com.br>.Acesso em: 31 mar. 2008.
Até a próxima com a continuação desta história na Parte II.
Alê de Nina








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