Total de visualizações de página

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A História do Rock Brasileiro - Parte I

Para compreender a origem do Rock Brasileiro, devemos voltar às influências ocorridas nas rádios e cinemas brasileiros na década de 1940 durante a II Guerra Mundial e posteriormente a este fato histórico até o final da década de 1950.
A opinião de alguns autores sobre a política econômica dos EUA de ampliar o seu alcance de maneira global, mesmo antes do conflito armado mundial da década de 40, viu no cinema e no rádio um modo eficiente de exportar o estilo ideal de vida da classe média democrática americana para os demais países latinos americanos e europeus. Na América Latina, a indústria cultural americana produzia artistas do meio musical que tocavam ritmos latinos como rumba, mambo, bolero, chá-chá-chás, para conquistar os ouvintes dos países vizinhos, concorrendo diretamente com os músicos nativos desses países como: Perez Prado, Trio Los Panchos, Nora Morales, etc. A intenção logo recebeu o nome de Política da Boa Vizinhança com os países aliados dos EUA, pois afinal de contas, tratavas se de um assunto de segurança nacional e não só econômica dos norte-americanos, para a sobrevivência do seu estilo de vida. (Tinhorão:1998).


A partir de 1950, houve um crescimento na população dos Estados Unidos, recorde num período de 15 anos, trazendo junto um novo tipo de consumidor que seria o público jovem, até então desprezado para os olhares dos publicitários. Esse mercado emergente trouxe à tona, um novo fenômeno musical de identificação que foi o Rock´n Roll, de origem no Rhythm and Blues dos negros americanos. O Rock tinha os elementos necessários para uma nova geração que não se conformava como a hipocrisia conservadora do estilo ideal de vida dos lares de classe média. (Tinhorão:1998).


A batida forte e agitada com letras que falavam de rebeldia, sexo e romances platônicos, era o prato ideal à uma geração que queria ser ouvida naquele mundo à sombra da guerra fria.
 Conforme nos diz Essinger, no Brasil o fenômeno do Rock´n Roll surge em 1.955 com a música Rock Around the Clock de “Bill Halley and His Comets”. Conseqüentemente, acompanhando o embalo, Hollywood exportava o filme Sementes da Violência (Black Board Jungle) para as telas brasileiras. Definitivamente as rádios de todo o país começaram a tocar este novo estilo musical para a alegria das gravadoras americanas que viam seus investimentos crescerem nos dígitos bancários. Logo, os empresários brasileiros seguiram o mapa da mina, lançando a versão em português da música, tocada por Bill Halley and His Comets, chamado Ronda das Horas, cantada por Nora Ney pela gravadora Continental, abrindo as portas para as novas imitações de estilo americano como os grupos brasileiros Os Cometas, Louis Oliveira and Friends, Cauby Peixoto gravando o disco com o nome Rock and Roll em Copacabana, Celly e Tony Campello com o sucesso Estúpido Cúpido e Banho de Lua em 1958, e Sergio Murilo com a música Broto Legal, tornando-se assim, os novos ídolos tupiniquins da geração jovem. (Essinger:1999).

Nora Ney

Celly & Tony Campello


Este sucesso de assimilação do Rock pelos brasileiros, segundo Tinhorão, deve-se também a um dos fatores que contribuíram a este processo que foi, a imigração de famílias do interior dos estados do sudeste para as cidades grandes, como São Paulo e Rio de Janeiro. Os filhos destas famílias não tinham vínculo cultural das tradições do interior das cidades de origem de seus pais. O que facilitava o interesse pelo estilo de vida dos jovens de classe média, exportado pelos filmes americanos. Portanto a maioria dos jovens desejava viver como pessoas da cidade grande desenvolvida. (Tinhorão:1998).

Após o mundo conhecer os novos ídolos da década de 50 como Elvis Presley, Paul Anka, Neil Sedaka, Pat Boone e outros, o começo dos anos 60 viria trazer um novo ícone da música jovem mundial, na forma de quatro rapazes de Liverpool: o grupo inglês Beatles. Com influências de Chuck Berry e Mudy Walters, estes rapazes britânicos revolucionaram o conceito de ídolos, trazendo uma leva mundial de fãs a ouvirem suas músicas antológicas como  Shes Loves You, It´s a Hard Days Nigth,Twist and Shout, influenciando a nova geração de músicos no Brasil. Entre estes estaria Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Mas antes de falarmos dos ídolos da Jovem Guarda, lembremo-nos do movimento promovido por outra dupla: Caetano Veloso e Gilberto Gil, com o Tropicalismo. Influenciados pelo rock dos Beatles e a bossa nova de João Gilberto, queriam resgatar a música brasileira, afastada das rádios pela invasão da música estrangeira e dar uma nova roupagem com características próprias, assim como a Bossa Nova revolucionou a MPB.

Assimilando as guitarras do Rock´n Roll, os tropicalistas queriam misturar os ritmos e tradições brasileiras aos novos conceitos de música moderna de 1960. Diferentes dos cantores da Jovem Guarda tinham uma posição altamente consciente dos fatores político-sociais que aconteciam no Brasil e no mundo. Era uma geração de jovens intelectualizados, formado por jornalistas, filósofos, políticos e artistas vindos dos movimentos estudantis como a UNE (União Nacional dos Estudantes).
Na Jovem Guarda se destacava o grande ídolo do movimento, o cantor Roberto Carlos ( heheheh...são tantas emoções bicho) com suas músicas que eram tentativas de reprodução do rock do Beatles, com letras simples, sem apelo político-social nenhum.
Esta aparição do ídolo da Jovem Guarda, caiu como uma luva para os interesses dos militares e da indústria, pois o novo ídolo trazia os estereótipos fabricados pela indústria cultural, para os jovens não contaminados pela influência comunista no país. A maior afirmação disto se deu no lançamento de seu quarto disco Roberto Carlos Canta para a Juventude.
E o maior público do cantor era em São Paulo, maior centro econômico do país, onde se situavam as indústrias internacionais.
A sorte dos militares não poderia estar melhor naquele momento, quando em 1965 a proibição da transmissão dos jogos de futebol direto dos estádios nas tardes de domingo, favoreceu o aparecimento de uma nova programação para preencher o espaço vazio nas tardes de domingo da televisão brasileira, o programa Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos, destinado ao público jovem consumidor. (Tinhorão:1998).
 



A incorporação dos instrumentos elétricos característicos do rock americano, como a guitarra, o contra-baixo e teclados, na música jovem do final dos anos 60, favoreceu a indústria destes instrumentos e dos equipamentos eletrônicos de amplificação de som. Por este motivo, ficou fácil a assimilação da indústria, na adesão do Rock como fonte de lucros a partir de 1970. Graças à Jovem Guarda e aos Tropicalistas, o Rock´n Roll domina os meios de comunicação.
A partir de 1970, sem dúvida a banda que teve a maior contribuição para o rock brasileiro foi os Mutantes. É imprescindível falar do começo desta década e não citar este grupo que abriu as portas para muitos outros.
Apresentados ao público da televisão por Ronnie Von em seu programa na TV Redord, O Pequeno Mundo de Ronnie Von em 1967. O grupo formado por Arnaldo Baptista, Sérgio Baptista e Rita Lee, chamado de O’Seis, passa a se chamar  Os Mutantes, por sugestão de Ronnie Von. E posteriormente, no mesmo ano, são convidados por Gilberto Gil para gravarem a música Bom Dia, levando então a banda a tocar com Gil no III Festival da Canção da TV Record com a música Domingo no Parque conquistando o segundo lugar.  Mais tarde envolvem-se com os tropicalistas, como citado anteriormente, acompanhando Caetano Veloso e Gilberto Gil no polêmico festival de 1968. E neste mesmo ano lançam seu primeiro LP, Os Mutantes, influenciados pelos Beatles e com arranjos de Rogério Duprat, motivo pelo qual até hoje, o consideram criador do Tropicalismo. Chegaram a tocar também na França durante o mesmo ano.
Com muito mais pscicodelia, tocam no IV Festival da Canção de 1969 com a música Ando Meio Desligado e então começam a se afastar mais do Tropicalismo, indo abraçar definitivamente o rock. Chegam a gravar um disco em inglês na Europa, deixando-o na gaveta até ser lançado em 1999.
A Rede Globo em 1971 se interessa pelo grupo para apresentá-lo em seu programa Som Livre Exportação, mas desistem após alguns programas. No ano seguinte lançam outro disco Mutantes e Seus Cometas no País dos Baruets.
Sofrendo influência de grupos ingleses como Emerson, Lake & Palmer e Yes. Mas em 1972, Rita Lee deixa os Mutantes e parte para carreira solo no ano seguinte. Depois disso os Mutantes continuam sem Arnaldo Baptista após seu quadro agravar-se pelo uso demasiado de drogas. Em 1978 a banda termina em um show em Ribeirão Preto, São Paulo, para 200 pessoas.

Os Mutantes

Outra figura importante deste período, que não devemos deixar de citar, é Raul Seixas, que trazia influências de Elvis Presley , Luís Gonzaga e do esoterismo também, gravando músicas com o parceiro Paulo Coelho, como Gita, Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza.
Festival de Águas Claras 1975

Muitas outras bandas também se destacaram como Secos & Molhados e Os Novos Baianos explorando cada vez mais as idéias de fusão da Tropicália. Outras bandas de som mais pesado como Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Bicho da Seda, A Bolha e outras mais para o Rock Progressivo, como O Terço, Vímana, Som Imaginário que tinham também as influências rurais de Sá, Rodrix & Guarabira e do Joelho de Porco com o seu pré-Punk Rock.

Esta fase rica do rock brasileiro teve os seus dias contados com a chegada do novo fenômeno mercadológico – a Discoteca - em 1977, junto com o filme de Hollywood Os Embalos de Sábado a Noite.

Este texto é uma pequena copilação de alguns trechos do meu trabalho de conclusão de curso de 2008 na Faculdade Mozarteum de São Paulo.

Referências bibliograficas e de internet:
TINHORÃO, JOSÉ - A Historia Social da Música Popular Brasileira
ESSINGER, SILVIO. A História do Rock Brasileiro, 1955 a 2000, disponível em: <http://www.cliquemusic.com.br>.Acesso em: 31 mar. 2008.

Até a próxima com a continuação desta história na Parte II.

Alê de Nina

Nenhum comentário:

Postar um comentário